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| Fonte: Izabelly Mendes. |
A falta de saneamento é uma das manifestações mais visíveis e cruéis da Desigualdade Social. A distribuição desigual de água potável, esgoto tratado e coleta de lixo nas cidades brasileiras e globais segue um padrão claro: as áreas mais pobres, periféricas, rurais e os assentamentos informais são sistematicamente os menos atendidos. A ausência de saneamento cria um ciclo vicioso que perpetua a pobreza e impede a ascensão social, transformando a infraestrutura em um privilégio de classe.
O Saneamento como Barreira à Oportunidade
- Segregação Espacial e Insalubridade: A falta de saneamento concentra a doença nas comunidades pobres. O convívio com esgoto a céu aberto, lixões e água contaminada gera uma incidência muito maior de doenças (principalmente em crianças), levando à perda de dias de trabalho e escola, e altos gastos com saúde. Isso consome a renda familiar e impede o investimento em educação ou em bens produtivos, mantendo as famílias na pobreza.
- Dificuldade de titulação e Valorização do Imóvel: Obras de urbanização, que incluem saneamento e drenagem, são pré-requisitos para a formalização da posse da terra. Sem saneamento, o imóvel (frequentemente invadido ou em área de risco) perde valor e não pode ser usado como garantia para crédito, impedindo o acúmulo de riqueza patrimonial pelas famílias.
- Disparidade de Gênero: A desigualdade no acesso ao saneamento afeta desproporcionalmente as mulheres. Em muitos lares sem água encanada, a coleta de água é uma tarefa feminina, limitando sua participação no mercado de trabalho ou no estudo. Além disso, a falta de banheiros limpos em casa e na escola impede a frequência escolar feminina, perpetuando a desigualdade de gênero e a pobreza.
- Custo do Tempo e da Energia: Famílias pobres sem saneamento gastam tempo e energia (físico e mental) que poderiam ser utilizados em atividades produtivas ou educacionais. Desde ferver a água para torná-la potável, até a preocupação constante com a doença, a falta de saneamento drena os recursos não financeiros.
O princípio da universalização (meta do novo Marco Legal) é, portanto, um imperativo da justiça social. O investimento em saneamento, focado intencionalmente nas áreas mais carentes, é a forma mais eficaz de equalizar o ponto de partida para todas as crianças e famílias, permitindo que a saúde, a dignidade e a oportunidade de prosperar não sejam dependentes da renda.
Via: Obras 10
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